[Resenha] O caminho da servidão

Capa do livro - O caminho da servidão
Capa do livro – O caminho da servidão

Antes de falar especificamente do livro, é preciso uma breve recapitulação sobre o contexto em que o mesmo está inserido. Hayek foi um economista ligado à escola Austríaca sendo aluno de Mises (que é um nome que ultimamente tem sido mais divulgado).

Para quem é, como eu, estudante originario das ciências exatas, o conceito de “escola de pensamento” não é tão claro, por isso sugiro que assistam o vídeo abaixo onde Hélio Beltrão, do Instituto Mises Brasil explica melhor esse conceito e faz uma introdução à escola austríaca.

Hayek ganhou o prêmio Nobel de economia em 1974 por “por seu trabalho pioneiro na teoria da moeda e flutuações econômicas e pela análise penetrante da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais”¹. Entretanto, sua obra mais famosa (“O Caminho”) não tem relação direta com o prêmio. “O Caminho da Servidão” é um tratado que também abrange filosofia e política.

Publicado em 1944, a obra surgiu pela preocupação de Hayek com o caminho que a Inglaterra estava tomando no pós-guerra. Segundo ele, algumas medidas em prol da centralização econômica haviam sido tomadas, inclusive em função da própria guerra, e estavam levando o país para caminhos que o aproximavam dos governos socialistas e principalmente fascistas. A obra teria surgido portanto para tentar evitar que a Inglaterra trilhasse “O Caminho da Servidão”.

Eu cheguei no livro pois estava interessado em começar a estudar mais sobre a Escola Austríaca. Dentre os vários livros que o Instituto Mises disponibiliza gratuitamente no seu site fiquei um pouco em dúvida por qual começar porém resolvi ler “O Caminho” depois que dois amigos comentaram comigo que estavam lendo o livro também. O mais interessante é que nós três não planejamos isso e chegamos à Hayek de maneira espontânea.

Sobre o livro em si. Admito que no começo achei a leitura um pouco chata, mas depois que me acostumei com o estilo de escrita de Hayek comecei a aproveitar melhor a leitura.

A idéia central do livro é que a determinação de controlar certos aspectos do livre mercado acaba gerando uma espécie de ciclo vicioso na qual as liberdades individuais acabam se perdendo gerando um sistema totalitário. O livro então é um tratado que explica o porquê e como isso acontece.

Em um certo momento do livro decidi fazer um fichamento capítulo à capítulo caso desejasse consultar a obra posteriormente, por isso seguem alguns comentários específicos sobre os capítulos e que começam no 7. Quem sabe no futuro eu atualizo a resenha com comentários sobre os demais capítulos. Notem que eu recomendo a leitura da obra como um todo e nesse aspecto os primeiros capítulos são a base para os demais.

Capítulo 7 – Aqui Hayek fala sobre a relação entre a liberdade econômica e as liberdades individuais e a importância da primeira. Fala que a perca da liberdade econômica implicará em um sistema totalitário.

Capítulo 8 – Fala sobre a justiça em um sistema capitalista e um sistema socialista. Qual seria mais justo? Como dividir as coisas? No final do capítulo fala sobre como o fascismo emergiu a partir do socialismo, ou melhor das classes que não se viram representadas pelos trabalhadores e queriam uma divisão diferente da sociedade. Também falha que se removermos os incentivos econômicos, restará o incentivo da violência e nesse caso se a falha de um indivíduo não o leva a falência o fará andar próximo da morte em todos os momentos.

Capítulo 10 – O nome desse capítulo é ótimo: “Por que os piores chegam ao poder” – Explica porque em um sistema com planejamento central as pessoas que irão prosperar na hierarquia de poder provavelmente são as que menos possuem escrúpulos.

Capítulo 11 – Essa capítulo fala sobre como os regimes totalitários precisam eliminar críticas a fim de não perderem força. Mais um incentivo à violência.

Capítulo 12 – Esse capítulo fala sobre de onde vem as ideias do Nacional Socialismo. Inclusive sobre isso vale o comentário de que Hayek explica que o livro se aplica e muito bem para o que aconteceu na URSS. Porém Hayek decidiu dar uma ênfase maior na experiência nazista pois ela era mais próxima na época da realidade do povo inglês (para quem o livro se destinava).

O capítulo 13 fala sobre intelectuais ingleses que defendem idéias estatizantes e o quanto essas idéias se assemelham às idéias socialistas e nazistas

Capítulo 14 – Aborda como a Inglaterra tem se afastado dos seus valores liberais característicos e como esses valores deveriam ser defendidos de peito aberto ao confrontados com ideologias totalitárias. Também fala sobre como um estado agigantado diminui a solidariedade de um povo.

Por fim o capítulo 15 fala sobre algumas limitações de organizações supranacionais e como se deve tomar cuidado para que essas organizações não se tornem também tirânicas para com seus países membro. Bem interessante de se analisar sob a luz do que se tornou a União Europeia nos dias de hoje.

Para concluir posso dizer que é uma obra muito vigorosa e que atinge o que se propõe, que é alertar sobre os perigos de uma sociedade com planejamento central. Não é o meu caso, mas acredito que a leitura atenta desse livro pode acabar com as crenças de muitas pessoas de que “o Estado deveria resolver” inúmeras situações. É preciso esclarecer entretanto que Hayek não propõe o fim do estado e segundo o autor existiriam funções que o mesmo precisa desempenhar. Não ficou muito claro a partir da obra qual seriam todas as atribuições do estado na visão de Hayek porém ele menciona segurança e justiça como sendo atribuições do estado.

Recomendo a leitura desse livro e pessoalmente recomendo que persistam. No começo a leitura talvez vá parecer um pouco árida porém a medida que se evolui no livro as coisas começam a fazer mais sentido e a leitura se torna agradável. Não é a toa que “O Caminho da Servidão” acabou se tornando uma obra muito popular.

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¹ https://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Hayek

Melhor da semana – 29/10 à 4/11

O grande debate: Estatismo vs Libertarianismo
Mais um vídeo do canal Idéias Radicais que apresenta um resumo do verdadeiro debate político que importa e não é esquerda vs direita mas sim estatismo vs libertarianismo.
https://www.youtube.com/watch?v=QRVAzqFOTnc

Tatsunoko vs Capcom – A jóia perdida de série Marvel vs Capcom
Uma vídeo-resenha bem legal desse jogo quase desconhecido da série Marvel vs Capcom, lançado exclusivamente para o Nintendo Wii.
https://www.youtube.com/watch?v=NeYjQMfs-M0

Bastidores do Stack Overflow
Se você é da área de TI com certeza já usou o site “Stack Overflow”. Acontece que um dos criadores do projeto, Jeff Atwood, tem um blog muito interessante com várias postagens legais sobre Tecnologia da Informação. Recentemente ele fez um post falando sobre os bastidores do Stack Overflow.
https://blog.codinghorror.com/what-does-stack-overflow-want-to-be-when-it-grows-up/

Vídeo sobre vida e obra de H. P. Lovecraft
O canal da editora Pipoca e Nanquim também sempre produz conteúdos acima da média mas esse vídeo sobre vida e obra do escritor H. P. Lovecraft me chamou especialmente a atenção. Vale a pena, principalmente para os fãs de fantasia e terror.
https://www.youtube.com/watch?v=vEkeadWdEQ8

A arte da guerra política de David Horowitz
David Horowitz é um cara que vale à pena ser descoberto para quem gosta de política. Nessa excelente palestra Silvio Medeiros fala um pouco sobre a vida de Horowitz e faz um breve resumo explicativo do livro “A arte da guerra política”. Para quem não sabe Horowitz nasceu em uma família de esquerda nos EUA e por muitos anos ajudou no crescimento da mesma, até que alguns acontecimentos fizeram ele re-pensar a sua vida e ele acabou “mudando de lado”. Com o seu conhecimento da esquerda ele escreveu um verdadeiro tratado sobre política moderna na prática.
https://www.youtube.com/watch?v=KNCAUfQUvJA

Prof. Cristian Lohbauer fala sobre a necessidade da reforma da previdência
Para quem não conhece o professor Lohbauer foi candidato a vice-presidente na chapa do Partido Novo. Pois de uns tempos para cá ele tem feito ótimos vídeos analisando notícias da política atual. Recomendo todos mas resolvi indicar esse pois o professor é muito claro sobre a importância da reforma da previdência.
Coloquei o link abaixo a partir do ponto no qual ele começa a falar sobre previdência mas se puder assista o vídeo todo.
https://youtu.be/5SqRKfgKvAI?list=WL&t=452

Por que voto em Rubens Filho (65444) para vereador em Pelotas

Talvez antes de mais nada acho legal falar sobre como conheci o Rubens. Foi no começo de 2009. Na época eu já acompanhava o Amigos de Pelotas. O Rubens publicou um texto procurando alguém que pudesse auxiliá-lo com a parte técnica do site. Como eu conheço HTML procurei o Rubens e assim nos conhecemos. Fiz várias modificações no layout do site e com isso o que começou com uma relação comercial transformou-se em uma amizade.

Nessas oportunidades pude conhecer pessoalmente quem é Rubens Filho. Além de um excelente jornalista, algo que transparece a quem acompanha o Amigos, algumas características me chamam muita atenção nele.

Primeiro é o perfeccionismo. Diferenças de um pixel eram ajustadas até obter o resultado ideal para o blog/jornal. Tenho certeza que da mesma maneira teremos um vereador que não vai aceitar fazer projetos e o seu trabalho de qualquer maneira, mas sim com capricho e dedicação. Além disso Rubens é muito crítico. Atento aos defeitos do ser humano seu faro para irregularidades o faria um excelente agente fiscalizador da prefeitura e dos demais vereadores.

Outro fator que favorece Rubens é a independência. Seria simples para alguém com o currículo de Rubens simplesmente ir trabalhar em algum grande jornal de Pelotas, porém Rubens preferiu seguir por outros caminhos que o levaram ao Amigos.

Nas próprias palavras dele: “Aos 40 anos fiz um trato comigo. É simples: se eu tiver que me anular para merecer o convívio dos outros, estou fora. Tenho 47 anos. Ou seja, tenho no máximo mais 20 e poucos anos de vida produtiva – mais cinco Copas do Mundo de Futebol e ploft, o docinho cairá no rio. Então, quero que os próximos anos sejam vividos intensamente, de peito aberto. Eu me recuso a viver na mediocridade para ser aceito.” [1]

Prova disso pode ser visto mesmo agora durante a candidatura: A menos de uma semana nas eleições Rubens afirmou publicamente que não irá votar no candidato da sua coligação Catarina Paladini [2]. Por sinal em [3] ele explica porque se candidatou pelo PC do B.

Por último Rubens tem um brilho nos olhos por Pelotas e pelo Amigos de Pelotas contagiante. É tocante ver alguém dedicado de corpo e alma a um projeto, ainda mais sendo algo de tanto impacto na nossa cidade como o Amigos. Naturalmente essa mesma energia irá guiar as suas atividades na câmara.

Para finalizar, reafirmo que penso que TODA a câmara deveria ser renovada. Motivos não faltam. Seja a ausência de projetos relevantes, ou como na aprovação de vários projetos cujo mérito para a cidade são questionáveis [4]. Isso para não mencionar outros episódios bizzarros como o sacrifício de animais no Mercado Público [5], os vereadores cujos filhos ocupavam cargos na prefeitura [6] (como fiscalizar a prefeitura assim?) ou no apoio da quase totalidade dos vereadores ao reitor da UFPel em um momento em que o mesmo havia sido condenado pela justiça [7]. Então mesmo que não queiram votar em Rubens por um motivo ou outro peço que pelo menos não votem nos mesmos candidatos de sempre. Se for para errar, vamos errar tentando com pessoas novas.

Quem quiser conhecer melhor as propostas dele pode visitar o site da campanha http://rubens65444.com.br

[1] http://www.amigosdepelotas.com/2009/02/aos-40-anos-fiz-um-trato-comigo-mesmo.html
[2] http://www.amigosdepelotas.com/2012/10/sei-em-que-nao-vou-votar.html
[3] http://www.amigosdepelotas.com/2012/04/por-que-optei-pelo-pcdob-e-virei-pre.html
[4] http://www.amigosdepelotas.com/2009/12/vaticanos-pelotenses.html
[5] http://www.amigosdepelotas.com/2012/07/mp-vai-investigar-sacrificio-de-animais.html
[6] http://www.amigosdepelotas.com/2012/01/vereadores-tem-filhos-em-cargos-de.html
[7] http://www.amigosdepelotas.com/2012/05/o-reitor-e-seus-suditos-agachados.html