[Resenha] Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes – Parte 1/2

Terminei de ler o livro “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes” de Stephen Covey faz pouco tempo. Embora o título seja meio auto-ajuda, se for é auto-ajuda da melhor qualidade possível.

O autor define 7 hábitos chave para que as pessoas possam aproveitar mais o seu potencial. Além dos hábitos em si, o autor apresenta alguns conceitos interessantes que ajudam a entender e aplicar os hábitos. Vou falar alguns desses conceitos nessa primeira parte e deixar para falar sobre os hábitos em si na segunda parte.

Dois conceitos muito interligados são o Círculo de Influência e o Círculo de Preocupação. O círculo de preocupação envolve tudo aquilo que nos afeta de alguma maneira, ou seja, impostos, clima, política, violência, nossos amigos, família, emprego. E com a Internet e a super-exposição de informação esse círculo é bem grande. Dentro do círculo de preocupação existe o círculo de influência, que é tudo aquilo que exercemos uma influência direta, ou seja, nossa família, nossos amigos e conhecidos, nosso emprego. Embora ele não sugira que nos tornemos alienados, ele sugere que concentremos nossos esforços em: 1º focar no nosso círculo de influência, já que o que está fora do mesmo não está ao nosso alcance e 2º buscar aumentar o nosso círculo de influência (que em uma situação limite seria quase o círculo de preocupação). Isso é bastante interessante pois pode nos ajudar a concentrar naquilo que podemos modificar. Ou então a buscar aumentar o nosso círculo. Exemplo: de forma pragmática não existe muito que eu possa fazer a respeito do desastre de Fukushima, então será que o melhor que eu posso fazer é ficar me preocupando com isso? Se realmente é algo importante, por que não trabalhar então dentro do meu círculo de influência, como por exemplo conscientizando a minha família e meus amigos sobre a importância de evitar desperdício de energia?

Com isso vem outro conceito que é “De dentro para fora”. A idéia é começar sempre com mudanças internas, ou seja, antes de tentar resolver o problema na corrupção no governo brasileiro, se questionar se nas minhas atitudes diárias eu estou começando a mudança. Ou na famosa frase de Gandhi: “Seja você a mudança que quer ver no mundo“. Isso também pode ser aplicado em organizações. Fazer uma mudança primeiro em um setor, depois em uma filial, etc.

Outro ponto que chama a atenção no livro é o conceito de Equilíbrio P/CP, onde P é o “produto” e CP é a capacidade de gerar esse produto, ou seja ter atenção tanto no processo, quanto no resultado. Ele dá diversos exemplos ao longo do livro. Um deles é com a criação de filhos, não adianta nada um filho passar em uma prova (P), se para isso foi feita tanta pressão que o filho vai ter que se tratar em um psicólogo. Por outro lado não adianta ser um pai que faz tudo que o filho quer (CP) enquanto a criança  não consegue passar de ano. É preciso manter o equilíbrio entre P e CP.

O último dos conceitos que gostaria de falar é o da Conta Bancária Emocional, que seria o conjunto de sentimentos que uma outra pessoa tem por nós e na qual devemos sempre fazer depósitos, através de ações que demonstrem o quanto as outras pessoas são importantes. Naturalmente também vamos fazer retiradas: atrasos, decepções, palavras dolorosas e erros que cometemos. É essencial que a conta fique ‘positiva’, principalmente com as pessoas com quem temos mais proximidade.

Por fim uma história do livro sobre as limitações na nossa percepção:

Eu me lembro do que aconteceu em uma manhã de domingo no metrô de Nova York. As pessoas estavam sentadas calmamente lendo seus jornais, quando de repente embarcou um homem com os filhos. As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam objetos e até mesmo puxavam os jornais das pessoas no vagão, incomodando à todos. Mesmo assim, o homem que sentou ao meu lado não fazia nada.

Ficou impossível evitar a irritação. Eu não podia conceber que ele pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que os seus filhos incomodassem os outros passageiros. Virei para ele e disse:

– Senhor, seus filhos estão perturbando os passageiros, será que não poderia dar um jeito neles?

O homem olhou para mim e disse calmamente:

– Sim, creio que o senhor tem razão. Acho que deveria fazer algo. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não sabem como lidar com isso.

Eu adaptei levemente a história para ficar mais curta um pouco mas espero que sirva para que vocês fiquem com vontade de ler.

Na segunda parte falarei sobre os 7 hábitos do título do livro.

3 opiniões sobre “[Resenha] Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes – Parte 1/2”

  1. Legal hein Banjo!
    Esse livro consta na minha fila imaginária de livros para ler, sempre ouvi várias pessoas falando bem sobre, acho que me deu mais um motivo para passa-lo para frente na fila, hehehe.
    Uma observação sobre ser um livro de auto-ajuda: Não que eu tenha algo sobre livros de auto-ajuda mas qualquer livro que tenta embutir uma fómula comportamental sempre é visto, por mim pelo menos, com muita cautela. Assim como tenho minhas teorias comportamentais e etc, sei que muitas delas imprimem uma interpretação PESSOAL da realidade . Tenho a forte impressão que em vários livros de auto-ajuda(pelo menos nesses best-sellers que todo mundo conhece) o autor sempre tenta fazer uma modelagem universal, só não sei até que ponto isso é prático. (mesmo que não seja, acho sempre válido uma nova perspectiva ;] )

  2. Fala Fred!

    Legal que te deu vontade de ler. Também tava na minha fila e quando eu descobri que tinha um exemplar aqui na FURG resolvi ler e não me arrependi.

    Eu mencionei livro de auto-ajuda pois encontrei um amigo e ele me viu com o livro e brincou “tá lendo auto-ajuda agora?”. Interessante é que no livro ele fala o tempo todo que devemos nos apoiar em princípios sólidos e atemporais ao invés de ‘receitas de bolo’ que funcionam somente por um tempo. Os princípios aqui no caso são autenticidade, coragem, amizade, etc (ou seja, nada de novo).

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